Biovilla Sustentabilidade

Biovilla Sustentabilidade - uma opinião muito alongada, cheia de parênteses.
Foi uma aventura decidida à última hora. Apesar de gostar de ter tudo planeado com antecedência e ser extremamente organizada, tenho aprendido que estas coisas às vezes são melhores que o que se pode pensar.
Mais importante do que qualquer outra coisa, a Biovilla fica no meio do nada. Não se ouve nada a não ser aquilo que é suposto. Pássaros, gatos a miar, o vento e folhas a bater, outros bichinhos e barulhos da noite. Para além disso nada, mesmo nada. Não há um carro, um grito, nada disso.
O conceito eco-friendly está, não só super na moda como também a ser polémico, o que vale a pena, já que estou de acordo com promoção de sustentabilidade, visto haver uma grande falta dela. Acho que o turismo de natureza tem um ambiente, energia e sentido de consciência, incríveis. Porém, a natureza e o campo, não são para mim. Tenho uma veia citadina demasiado acentuada para pensar sequer em viver todos os dias, a quilómetros e quilómetros de um supermercado, de uma praia (ok o mar também é natureza, mas para mim não é a mesma coisa), e principalmente, com aranhas ao lado. O ar puro é uma delicia, mas complica a vida da malta alérgica. É uma gaita haver (quase) sempre um mas.
Acho que se cada um de nós tivesse pequenos cuidados e fizesse a sua parte, as coisas não tinham chegado onde chegaram, e os alarmes não estavam a soar tão alto quanto estão. Eu também uso garrafas de plástico reutilizáveis, de vidro e a mais recente que tenho é de metal/alumínio. Há anos que fecho a torneira a lavar os dentes e a máquina de lavar loiça só se liga quando estiver cheia. Evito o uso de palhinhas. Só compro sacos de plástico no supermercado em último caso, (e mesmo assim custa-me) preferindo os reutilizáveis ou os de tecido. Não vou desenvolver isto se não, nunca mais daqui saía. Resumindo é extremamente importante consciencializar a sociedade, tentar moldar os humanos para questões como o aproveitamento dos recursos naturais, a biodiversidade e dos materiais biodegradáveis.
No entanto, o meu cabelo com um shampoo biodegradável (oferecido, ao invés de embalagens de plástico com shampoo/gel de banho miniaturas), ficou a parecer um fardo de palha. Portanto, amaciador, come to me. Ainda têm de se encontrar alternativas um bocadinho melhores.
Ao marcar isto muito à pressa, mesmo em estilo aventura, brincou-se muito sobre ir parar a um sítio com uma comunidade hippie (nada a ver connosco), com encontros de yoga, todos vegetarianos, veggan, whatever, como queiram (porque eu como carne). No caminho, no meio do nada a conversa era que o pequeno-almoço seriam só compotas caseiras e granola...
Quando fui, portanto, tomar o pequeno-almoço, pela manhã (óbvio) à porta da sala dizia que todos eram bem-vindos, mas, sem sapatos. Tirando o frio nos pés, foi engraçado (e higiénico). Quando entrei deparei-me com um buffet que tinha: requeijão com especiarias, doce de abóbora e de pêra caseiros (acertou-se na mouche!!!), pão biológico (que se podia torrar), leite de aveia e de arroz, ovos mexidos, queijo (fiambre não - eram mesmo vegetarianos), papas de aveia, fruta (infelizmente muito escassa), manteiga biológica, limonada sem açúcar, café e chá de alecrim. Também li numa plaquinha que tinham sumos naturais e batidos, mas não os vi. Fiquei completamente perdida pelo chá de alecrim. Bebi duas canecas cheias! Muito bom, intenso, forte. Uma excelente escolha para quem é fã de chá.
E apesar de poder ter degustado o chá com uma bela vista para a serra, muito verde, muito fresca, muito natural, que foi o que fiz, acontece que as fotos que estão na internet enganam um pouco sobre a Biovilla (apenas sobre o exterior pois as fotografias de todas as zonas interiores são leais e correspondem à realidade). Passo a explicar... Queria ter-me deitado numa caminha com um dossel, no meio dos arbustos, ou então quanto mais não fosse, sentar o rabo numas almofadas ou puffs espalhados pela herdade. (É possível que haja no pico do verão, não sei.) O máximo que encontrei foi uma horta, que era dos proprietários e de resto, espaços algo desordenados. Valeu pela vista!
Devo dizer também que não havia quase plásticos, pelo menos ao pequeno almoço. Quase todos os utensílios eram de vidro ou metal. Havia até uma pequena venda de produtos alternativos e amigos do ambiente, como escovas de bambu (não sei se sabem, mas os pandas estão a ficar sem alimento e é esta a merda de tirarmos de um lado e pormos do outro), sacos de pano e alimentos mais saudáveis. Notava-se que as pessoas faziam alguma cozinha "alternativa". Estar num sítio que promove esse estilo de vida é sempre bom, ainda assim, quem ali vai a meu ver, já está informado e compra esse tipo de produtos. Assim, precisavam mesmo era de estar expostos e à venda nas grandes superfícies, para que quem ainda não está dentro do assunto, passe a estar. Ainda há pessoas que não sabem que existem alternativas...
Nos quartos, o mesmo. O elemento principal era a madeira. O quarto em que fiquei era o Blue Room, todo em madeira. A cama estava sobre paletes, as mesas de cabeceiras eram feitas igualmente com esse material. A decoração tinha elementos rústicos que jogam sempre com as madeiras. A cama e os cortinados eram de cor branca e azul. Estes cobriam uma parede inteira que era em vidraças pelo que luz natural não faltava.
Apesar de estar com umas sandálias totalmente simples e descontraídas, e ter ido tomar o pequeno-almoço com um casaco de malha largo e calças de fato de treino porque ainda não tinha tomado banho e porque well não me apetecia estar aperaltada, ou seja, apesar de estar totalmente enquadrada (meia hippie, só meia, atenção), tcharaaan: estava de sutiã! Por mais natural que estivesse, o sutiã estava comigo.
E porque é que estou a trazer este assunto à baila? Porque muito se fala agora de que as mulheres não são obrigadas a usar sutiã e que se os homens não usam nós também não temos de usar. Lamento imenso, mas desde quando é que a nível biológico e anatómico somos iguais aos homens? Desde quando é que tirar o sutiã é um símbolo de afirmação feminina? Diria até que das peças mais femininas que uma mulher pode usar é mesmo um sutiã, de renda preta, por hipótese (Imaginem vá!) E acreditem que a igualdade de género me importa, e muito.
Quem é que usa sutiã para ser diferente dos homens, ou a pensar que é por obrigação? Eu uso sutiã porque tenho mamas para suportar, porque é confortável e em suma, porque quero. Adoro um bom sutiã! Sujeito-me a julgar que quem faz tanta campanha para que não se usem mais sutiãs é porque tem o peito evidentemente pequeno, e não lhe faz falta. A ver se nos entendemos com isso... Quem não quer andar de sutiã não ande, mas que, tire da cabeça que o feminismo se vai fazer ouvir com atentados ao pudor. Se ainda não faz com coisas mais graves (como a desigualdade salarial) não é por sutiãs que fará. Chamem-me antiquada ou pudica, que cá para mim, dá-me igual. Eu não tenho de estar num momento em que parecia que nem estava em Portugal, numa linha completamente diferente, e a ver mamas de mulheres. (Evidente que estou a exagerar para ver se passo a ideia!) Se me fez mal? Não fez, de todo. Mas é um bocadinho provocatório, ou chato, no mínimo, pensemos lá. Por que raio haveria de querer acordar e ver mamas? Também não queria ver falos! Sim, estou a dizer que isto aconteceu por lá.
É educado um homem andar sem t-shirt pelas ruas? Para mim não é. E se o feminismo quer igualdade de género, porque haveríamos nós de agora andar com os mamilos de fora a torto e a direito? Não vou entender a ligação que há entre não usar sutiã e lutar pelo feminismo. Nem quero que me expliquem. Eu tenho mamas pá! O meu namorado não! Não é por eu usar sutiã que não me estou a afirmar perante os homens, de certeza, absoluta.
Continuando... engraçado mesmo foi sair do quarto pela manhã e virem três cães ter comigo, super simpáticos e amigáveis. Um, cor de caramelo, outro, preto (era uma cadela) e outro, preto e branco com um olho castanho e um olho azul, muitíssimo original. Para quem não gosta de animais também não é um bom sítio para ficar. Essa surpresa soube muito bem porque ninguém acorda num prédio na cidade e tem animais soltos à espera.
Em contraste, uma coisa muito má foi a quantidade de mosquitos que havia, e claro, a quantidade de picadas que trouxe para casa. É normal na Serra da Arrábida (possivelmente em todas, mas só pernoitei naquela). Desta forma, não estava prevenida com repelente, mas, fica a dica, para quem lá for: leve.
Outro pormenor: as plantas são regadas com a água que os hospedes deixam em baldes nas wc's, enquanto a água está a aquecer. É um pedido que fazem. O problema é que nunca cheguei a sentir a água quente. Valha-me Deus, isso não foi fácil. Tomar banho sem água quente não é fácil. Com temperaturas nada altas e dias tão mornos, não é fácil, mesmo. Além disso, uma casa de banho que está cheia de aranhas, não pode correr bem para os meus lados, já que abomino essa bicheza. É mais do que natural haver bichos no campo, mas, não me parece que a limpeza fosse um forte já que, obviamente podiam tirar os bichinhos das paredes e pô-los nas ervas, antes de os hospedes chegarem.
Já agora, para quem gosta muito de privacidade (eu aqui, ó da casa) e não gosta de partilhar absolutamente nada, há um detalhe que tem de ser referido: as casas de banho são partilhadas, pois não são nos quartos. A instalação tinha dois quartos e casa de banho exterior, e logo ao lado, no mesmo deck (de madeira, já sabem), havia outros dois quartos igualmente com uma casa de banho exterior. O que foi dito, não antes de irmos, mas no dia seguinte, é que ambas as casas de banho podem ser utilizadas por toda a gente, dos quatro quartos. Assim não foi perceptível quem ia a qual, mas usou-se a que estava mesmo encostada ao quarto.
Trata-se de um sítio pequeno. Para passar uma noite, é sem dúvida agradável. Parece mesmo que estamos muito longe daqui. Tenciono voltar, porventura, numa de descanso e fuga da realidade, porque viver assim... Passo.
Apercebi-me com pesquisa posterior que há realmente vários eventos na Biovilla, não só encontros, mas também concertos, e que apoiam o co-living, em que uma pessoa passa lá uma semana (por 10€ por noite) e ajuda nas tarefas locais.
Posto isto e provavelmente o mais relevante para os que ficaram interessados, um quarto por noite, para dois, ronda os 45€ em junho (com pequeno almoço incluído). E como já estou a roçar demais a publicidade, chega de informações. Considero que, se olharmos para outros turismo de natureza e rurais, ecos, este é bastante em conta! (Mais um problema de alternativas destas, é o preço elevado, por norma.)
Por último, alguém que diga à dondoca que é dona daquilo, para não receber os hospedes e dizer "divirtam-se muito" ou "aproveitem". Fica mal, não digam essas coisas, pelo amor de Deus.