O Pedro Chagas Freitas

23-11-2019

Sobre o Pedro Chagas Freitas - espero que ele nunca leia isto.

O Pedro Chagas Freitas canta bem mas não me alegra, como se costuma dizer.

Tem a lábia toda, a técnica toda, a papinha toda construída. Tem tudo, que não passa do não ter nada.

Não vejo beleza em, gramaticalmente, a nível de construção frásica e até mesmo no que toca ao vocabulário, ser-se repetitivo. O Pedro Chagas Freitas não escreve duas páginas diferentes. A fórmula foi pensada e: vende! A fórmula foi estudada e: rende! A fórmula conquistou leitores e: prende! E eu nem posso falar muito porque acho imensa graça a repetir expressões, de propósito. Ele também o deve fazer, por querer, é certo, mas usar sempre a mesma técnica cai no exagero. Além do mais, a repetição de ideias não consegue ter o meu apoio, nem hoje nem nunca. Não dá para um Nobel da Literatura, amigo Pedro.

O Pedro Chagas Freitas quer, como qualquer pessoa na sua profissão, fazer dinheiro. Mas um escritor fazer dinheiro com fórmulas é ingrato. Explico-me, é ingrato para mim leitora que quando compro um livro a pensar que é diferente e que pode surpreender, nem o consigo chegar ao fim e é ingrato para os escritores que têm talento mas que, como não estão constantemente a escrever umas frases feitas à moda do tumblr, são pobres, desconhecidos e o diabo a sete.

Quando rebentou o fenómeno Pedro Chagas Freitas adquiri o livro "Prometo Falhar", só o nome já cativava. Verdade. Li, sublinhei umas frases e até mesmo uns parágrafos giros. Até aqui tudo bem. Dariam boas legendas de fotos e quando folheasse o livro, numa outra altura, lá estariam elas assinaladas. Não deixa de parecer querido que daqui a uns anos possa verificar o que achei interessante, nuns tempos antes. Porém, a repetição constante de ideias começou a cansar-me e o uso tão básico de jogos de palavras, idém. Já tinha referido a repetição, não é? Desnecessário, não é?

E quem sou eu para criticar a escrita de alguém com milhares de followers? Não sou ninguém. Mas sou alguém que lê diversos autores, portugueses e estrangeiros e que percebe as fórmulas... Ai as fórmulas. E que, graças a Deus, sempre teve professores de português pouco meigos. Ok, sempre não, mas quase quase sempre. Bom e digamos que no fundo, qualquer pessoa pode dar a sua opinião sobre as coisas, desde que a fundamente. A mim, não me perturba.

O livro aborreceu-me mas li-o por completo. Mais recentemente, mas não muito recentemente (gostaram da repetição exagerada do recentemente?) li, já não por inteiro, o "O Amor Não Cresce nas Árvores". A escolha adveio do facto de me ter parecido um livro com história(s) e não uma compilação de textos "bonitinhos" como o primeiro título que mencionei. Não me enganei. Não quanto a isso. O livro tem histórias mas que, por muito que tenham sido uma tentativa de criatividade eu, pessoalmente, (não, havia de ser eu mas impessoalmente) não gostei. Vou traduzir - ter de saltitar de história em história não é a minha onda, e, por opção ir passando muitas páginas de vez, para dar seguimento áquela história que escolhemos ler, tendo sido assim construído, estando estas assinaladas por cores, também se torna pouco prático. Mas esqueçamos o mundo estrutural de um livro porque não estou aqui para delírios desses.

Sobre a escrita, enganei-me. ENGANEI-ME. Não melhorou, não foi melhor, não surpreendeu, não foi aliciante, e etc etc etc. Como já perceberam, decerto, não preciso de me repetir. Estamos perante um livro que, é algo cansativo, e eu sei que já usei este adjetivo para o volume anterior mas não encontro palavra melhor para o descrever. Além do mais a mim não me podem cobrar pelas repetições porque não sou escritora, nem de perto nem de longe, se bem que o ser-se escritor hoje em dia tem muito que se lhe diga - toda a gente lança um livro, e não que não gostasse de o fazer, mas não metam as carroças à frente dos bois... Olhem para o Pedro Chagas Freitas: mete as carroças todas sem bois. Vende, mas não é bom.

Desta vez desisto. Não vou dar mais oportunidades... A não ser que me dê uma coisa má. Ou que haja realmente uma mudança muito grande na carreira do Pedro Chagas Freitas. E mesmo que o amigo ganhe um Nobel, não me parece que se torne assim tão apetecível.

O Pedro Chagas Freitas escreve para mulheres. Chamem-me feminista, ou machista, ou o raio que isto agora pareceu. E cá me parece que acha que nós mulheres só gostamos de ler clichês merdosos e românticos. Gostamos! Gostamos sim! Mas não todos iguais e aí saímos do cliché. Mas não todos tão básicos! Podia aproveitar para mencionar que, mesmo a nível biológico e hormonal, os básicos aqui são os homens, mas não quero misturar assuntos.

Pedro Chagas Freitas, caso me permitas dar-te um conselho, pois também tu tens possibilidade de falhar, não acredites que vais conquistar o mundo sempre da mesma maneira. A mim, enganaste-me e bem. O boom do primeiro sucesso de vendas atingiu-me. Cativou mas não foi o suficiente para completar esta frase com "encantou". Depois disso, foi a cair.

Não sou anti-Pedro Chagas Freitas, atenção. Sou pró autores portugueses (alguns) e ponto final. O homem é simpático, diz umas coisas engraçadas. Já o viram a brincar com "falos"? É giro. Linguisticamente, claro. Quando recorre a metáforas e coisas do género. Tudo o que ele parece menos é ser um homem que gosta de formas fálicas, convínhamos. Mas, a par disso, noto-lhe cagança, a mais. E se calhar todos lhe demos razões para isso. Incluo-me no leque, até porque, admito, sigo-o no Instagram e leio as quotes que lhe pertencem. Vou continuar a seguir até ao dia que não me apetecer mais, já que, repito, ele parece-me porreiro.

Só não me digam que ele escreve MUITO bem.

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