Pequeno-almoço no quintal II

22-08-2024

A história repete-se. Um ano depois. Desta vez bastante mais rápido.

Estou a tomar o pequeno-almoço no quintal. O quintal da casa de Silves, aquele que é do Algarve que tem vista de laranjeiras ao invés de vista mar.

Este é aquele pequeno privilégio sobre o qual já escrevi, inexistente no meu dia-a-dia. Um privilégio, digamos, veranino. "Veranino" é palavra que não existe, mas eu inventei, porque podemos inventar palavras. Principalmente se gostarmos de palavras e as palavras que existem não nos chegarem. Mas existe veranico, que significa entre outras coisas "verão curto", e até aceito incluir isso aqui, porque sinto que as férias voaram, muito infelizmente, e que o verão e o calor chegaram tarde.

Hoje é quase meio-dia, nem sequer é cedo para que possa falar da brisa da manhã e automaticamente isto ganhar mais poesia. Não é cedo, mas quer dizer, também não é tarde para quem foi dormir tarde e para quem não dormiu bem. É quase meio-dia, a temperatura desceu no Algarve. Todos os dias um grau ou outro tem vindo a descer. E é por isso que se está bem à sombra como eu estou. Caso contrário, seria impossível, pois há dias atrás estar à sombra ao meio-dia era o mesmo que pedir para assar. "Oh fachavor assem-me como se fosse um frango."

Mais uma vez estou de pijama. Um top curto e uns calções, de fundo branco e um padrão, digamos, divertido, com cores vivas. Não é um pijama nada de especial, é só um pijama. Há peças de roupa que são só isso, peças de roupa. Sem valor adicional, sem uma marca que nos enche as medidas, sem carater emocional, um dia associado, qualquer coisa.

Não bebi galão – aliás não bebi nenhum galão estas férias, agora que penso nisso – mas antes um iced tea zero, de limão. Já que é asneira beber sumo, ao menos que seja uma asneira sem açúcar. Também não comi torrada como da outra vez que divaguei sobre tomar o pequeno-almoço no quintal, mas antes uma pequena sandes de pão alentejano, feita praticamente com o "cu" do pão – também dizem cu do pão? eu gosto dessa parte do pão - , com uma fatia de queijo (sem lactose). E uma fatia retangular de bolo de noz (sem lactose também), aquele tipo de bolo seco, aquele tipo de bolo de acompanhar chá. É de noz, mas tem um travo a canela, sobreposto ao sabor da noz. Sobressai o ingrediente mais barato. Não fui eu que o fiz, mas é uma constatação de facto, válida para mim.

Depois disto há sol para apanhar e mergulhos para dar. Não me apetece ir para a praia, por isso opto pela piscina no quintal, com vista de laranjeiras. Se estou de férias não é para fazer o que não me apetece, mas sim para fazer o que me apetece. E o que me apetece, para além de escrever este sabe-se-lá-o-quê-texto-frases-cenas é não ir para a praia. Não fui.

Para mim estar no Algarve não significa ter de ir imperativamente e sem piedade à praia, todos os dias, à mesma hora. Não e pronto. Gosto de o aproveitar para ir ao cinema (coisa que faço com alguma regularidade, porque acho que é uma atividade que nos tira um pouco da rotina e apoiamos a indústria com as vendas de bilheteira); para ir às compras (nem sempre com um objetivo concreto estilo "preciso de um top branco" - o que este ano aconteceu mesmo, porque precisava de um top branco e lá fui eu, e depois tornei a ir porque não experimentei em loja e quando não se experimenta em loja a probabilidade de troca sobe muito (não sei o que é muito, não tenho uma estatística e não tenho porque também não procurei, mas parece-me certo); para aproveitar esplanadas à noite; para comer grelhadas no quintal, no mesmo quintal. Também aproveito a praia, muito, mas há mais.

Por falar nisso…. Escrevi exatamente isto "por falar nisso…" e não me recordo o que seria para se seguir, no momento de transcrição deste sabe-se-lá-o-quê-texto-frases-cenas. Significa só que a nota que escrevi no meu telefone ficou reduzida, demasiado abreviada, para que agora eu pudesse dar continuidade. E assim sendo, termino, e vou dar continuidade a outros assuntos que sei, sem dúvidas, que tenho por desenvolver. Por exemplo Cuba, eu disse que iria escrever sobre Cuba. Ando a ganhar coragem... Fui.

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